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O Podcasting é o futuro do Storytelling? Desde o início dos tempos (e o advento dos seres humanos), a narrativa oral tem desempenhado um papel crítico como único meio de abstrair experiências e emoções em forma narrativa. Antigos contadores de histórias orais eram cuidadores reverenciados pelo conhecimento, história e tradições locais em suas comunidades.

Milhares de milênios e histórias depois, muita coisa mudou – o vídeo basicamente matou a estrela do rádio, mas agora temos podcasts. E 2015 foi um grande ano para o podcasting.

Entre outros marcos, vimos o megahit Serial estourar 100 milhões de downloads. Vimos o podcasting ter sua primeira entrevista com um presidente americano. O barulho e a atração traduziram-se em um aumento de 24% nos ouvintes regulares.

Saindo desse crescimento sísmico, é natural questionar se o crescimento do podcasting será sustentado ou se uma coleção de eventos de casualidade. E que conduziu a números elevados e incomuns de ouvintes, para em curto tempo retornar à audiência à média.

Os podcasts estão aqui para ficar. Na verdade, o podcasting se tornará o meio de narração (storytelling) mais importante. Aqui estão seis razões.

 

6 Razões Pelas Quais O Podcasting É O Futuro Do Storytelling

 

1.) O Investimento No Negócio Está Aumentando

Recentemente o podcasting viu investimentos sem precedentes. Em 2015, a Gimlet Media arrecadou US$ 6 milhões em fundos de série A, e a WNYC anunciou planos para abrir uma nova divisão de podcast, com financiamento de US$ 2 milhões.

Uma nova rede, a Wondery, fundada pelo ex-CEO internacional da Fox, anunciou seu lançamento com recursos que superaram U$ 1 milhão. A DigiDay, empresa de mídia vertical, relata que os podcasts de marca estão ganhando força entre os anunciantes.

Tudo isso se traduz em maior investimento em conteúdo. Fundos na mão, as redes estão apoiando projetos maiores e mais ousados ​​do que nunca.

 

2.) O Conteúdo Está Melhorando

Com o investimento em expansão, os shows em podcasting têm e continuarão a crescer em ambição, com certeza. Mas não é o investimento isolado que está provocando melhorias no conteúdo. É o instinto dos creators inteligentes desta mídia que estão explorando o mesmo prazer oferecido no vídeo digital: a liberdade.

Estamos liberados da rigidez da programação de rede e somos livres para fazer a transmissão, quando e onde quisermos.

Como forma de mídia unicast, os podcasts não precisam obrigar-se ao tempo do rádio, no qual o conteúdo deve ficar em enxertos de 15 minutos. Se um episódio quiser ter 53 minutos de duração, ora que seja!

Os criadores do podcast ficcional Limetown exercitaram habilmente esse direito, enviando várias atualizações de personagens de um a três minutos, baixando os feeds dos ouvintes em semanas entre episódios regulares.

O podcasting também oferece aos criadores a oportunidade de realizar projetos polêmicos ou considerados inapropriados para transmissão nacional. As possibilidades são ilimitadas. Acabamos de tocar a superfície.

Já é possível contar o número de grandes obras de ficção presentes no meio, por exemplo.

 

3.) A Base De Talentos Está Crescendo

Com dinheiro real disponível e um conjunto crescente de obras ambiciosas e completas, talentos e famosos estão mais interessados no podcasting do que nunca. A base de talentos do meio é adicionalmente impulsionada por um modelo de negócios cada vez mais estável.

À medida que as CPMs (custo por mil impressões) lucrativas aumentam e as estratégias de monetização se expandem. Existe a possibilidade de ganhar uma remuneração razoável.

Isso, combinado com a perspectiva de criar um conteúdo ambicioso que irá encontrar uma audiência significativa, está atraindo mais talentos que se destacam na base da pirâmide.

Esses novos participantes contribuirão com um trabalho ainda mais excelente para o ecossistema, gerando ainda maiores investimentos em audiência e crescimento.

 

4.) A Distribuição Está Em Expansão

Então, temos investimento, conteúdo e talento, todos levando a um ciclo virtuoso. E a distribuição? Cerca de 57 milhões de americanos, ou 21% da população dos EUA, escutam podcasts regularmente.

Isso pode soar muito, mas na verdade, são migalhas comparadas com a audiência do rádio tradicional, que captura quase 300 milhões de ouvintes regulares, 93% da população. (O mercado brasileiro também vem crescendo como mostra esse infográfico feito pela PodcastCompany)

A diferença é em grande parte devido ao acesso e às plataformas. Agora, a maioria do conteúdo do podcast é consumido através de aplicativos de podcast nativos. Quando o aplicativo se tornou pré-instalado em iPhones, a barreira para ouvir foi significativamente reduzida para os 90 milhões de americanos que possuem iPhones.

Na verdade, mais de 80% da audiência de podcast ocorre em dispositivos iOS, apesar de o Android ser a maior plataforma de smartphones da América. No entanto, apesar de uma base de instalação muito maior, apenas 16% da audiência de podcast ocorre em dispositivos Android.

Isso está mudando com o serviço de podcast da Google através do seu aplicativo Play, pré-instalado. O aplicativo Play é muito maior do que sua base Android, uma vez que pode ser instalado em dispositivos iOS.

E não é apenas aumentar a distribuição. Spotify, com uma base de usuários ativa de mais de 75 milhões de ouvintes, tem seu serviço de podcasting. Pandora, também, entrou no jogo, tendo disponibilizado a Serial para seus 78 milhões de usuários ativos.

Em todos estes casos, o conteúdo do podcast está ao lado da música. Isto é importante observar, pois significa que os usuários sem intenção deliberada de procurar conteúdo podcast agora poderão encontra-lo.

 

5.) O Carro Conectado Está Mais Perto

Como o rádio tradicional permaneceu sem interrupções e, contra todas as tendências da mídia, manteve à distância a sua contrapartida digital? Por conta do carro, onde ocorrem 44% da audiência de rádio.

Dashboards estão mudando, no entanto. Em 2015, dos 75 milhões de veículos novos vendidos nos EUA, 13% estavam “conectados” ou habilitados para internet. Isto facilita o acesso a fluxos de rádio web e podcasting.

 

6.) A Realidade Virtual Está Chegando

Percorrendo a cidade, quando não se pode segurar um livro ou tablete, o streaming de áudio é a única opção de entretenimento viável. Em última análise, dois aspectos consolidam sua perspectiva de crescimento. A habilidade do podcast para se transformar em inúmeras atividades e configurações e o poder de aventurar-se onde a impressão e o vídeo não podem.

Não apenas em nossos carros, comutações e meandros, mas no centro das nossas salas de estar e nos locais de entretenimento.

A realidade virtual, se não for a plataforma de computação do futuro como idealizada por Mark Zuckerberg, deverá se tornar um formato importante no entretenimento, e o podcasting se beneficiará disso.

Por quê? No Audio Storytelling, os ouvintes são movidos através de uma narrativa sonora – construída por música, diálogo de personagens e narração.

Dada a dificuldade de levar uma audiência através de uma sequência visual controlada em um ambiente VR (do termo em inglês, Virtual Reality) esfericamente imersivo, a narração de áudio é a melhor opção para histórias lineares tradicionais neste formato.

Dentro deste modelo, o ambiente VR pode servir como um cenário imersivo e contextual relevante para o gráfico que está passando. Você não precisa confiar no visual como seu guia; apenas fique no ambiente e aproveite a história.

 

Eu prevejo que retornaremos às nossas raízes. Nossos avatares estão reunidos em torno de histórias de compartilhamento perto do fogo virtual. Espero ver você lá.

Escrito por Chris Giliberti, da Gimlet Media. Siga-o no Twitter

Adaptado pela Equipe Universidade da Comunicação
Original publicado em inglês na Forbes.com


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